Navego persistente, enquanto marinheira recolho as velas. No mastro, escorrego por entres cordas e nós de mar. À proa, no outro lado de mim, vozes góticas entoam dizeres, queixumes e ladainhas. Escorreitas formas de sentir, planos de marés, âncoras que teimam em aplanar. Acantonamentos hospitaleiros, vorazes anseios destes destemidos e valentes marinheiros. Ondas que oscilam, aclamando vitória. Recolho, de novo, as velas e aceno. Direcciono o meu olhar. Procuro no horizonte um sinal de vida. Um poema de ti. Um lugar onde aparcar. Um porto seguro onde, aninhada, possa adormecer tranquila. Quero refugiar-me dos meus pensamentos e agoiros. As visões que me perseguem são reais, objectivas, incolores e disformes. Abro a janela do tempo. Ferrugenta, deixa-se arrastar, emitindo um som estridente. Vacilo e recuo. Há sinais impenetráveis. Há marés descontroladas e tempos imortais. Subjectivos. A caravela, receosa, navega por entre ondas de mar revolto. Estoirada, fugiu em direcção ao céu. Velejarei de novo, sentindo apenas.
Tell@
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