9.11.09

Ladainha

Ladainha que adormece em mim. O seu olhar, triste e incólume, rasga a paisagem da alma. Dispo-me do calor imenso que me agasalha, quero voar no céu do teu aquário. Nadar sentada, deslizando devagar entre ondas de sabedoria. Sorrio enquanto aceno, saudando uma andorinha que se aninhou naquele tronco de árvore. Liberta da teia da vida, canta para mim.
Na rua, solta e livre, de galho em galho, rodopia imitando-me. Neste aquário, seco e translúcido, vazio de ti, largo a âncora. Cascatas de emoção, sentimentos desmedidos, mergulhos suspensos em dissabores e ladainhas que entoo desde que iniciei este voo. Sento-me e aguardo. Falsas partidas, desentendidas e encobertas pela castidade da lua. No céu a verdade, na nuvem a liberdade. O universo é imenso, espaço de iguarias e pensamentos alheios. À porta uma imagem iconográfica, disforme e carpida. Guardião da mente, servo de ti. Não consigo entrar, volto a respirar e aguardo. Volto a sentar-me, fico tranquila e respiro fundo. Ouço a mesma ladainha e, de novo, o eco que provoca em mim.
Tell@

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