22.1.10

ANJO DE MIM

Casta na essência. Pura na forma. De brilho no olhar, percorre-me despindo-me. Límpida gota, incolor. Devassa. Geme de sede. E de prosa no ventre, cobre-se de pele. Corpo insano. Noviça na alma, sombra que percorre debutante pelo meu corpo. Desvairo momentâneo. Cálice de aromas e odores perfumados. No ar, o cheiro a riso. Na mão, sinais de desejos inalteráveis. Proezas demagógicas. Silêncio. As mãos descobrem e não gostam. A voz dissipa-se. O corpo arrefece incólume. Deitada, invoco pelo meu anjo da guarda. O único anjo que me aquece. Aquele que me segura na mão e me agarra na pele. Noite após noite, num trajecto comum. Sensual. Parco em palavras mas doce na fala. Sorriso contagioso, magia no toque. Abraça-me forte e regressa para o meu leito. Sim tu. Apenas tu. Meu anjo da guarda.
Tell@

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