Oiço um gato que mia. O miado trapalhão de um gato apaixonado. Coitado. Mesmo anafado, rodopia em sinal de alegria. O cão ladra, mirando o gato de longe. De repente, uma companhia toca desenfreada. correm para a porta e aguardam. Anafado e bolinha, lado a lado, rejubilam. Chegou o Manuel. A criança mais traquina do bairro. Ninguém a deseja, todos a temem. É frequente andar de porta em porta, a fazer asneiras. A Dona Bonita grita com ele. Ela vive mesmo lá no fim da rua, junto ao sr. Catita, o homem das arrufadas. Um bonacheirão, corcunda e de longo bigode. Não há dia que não passe a sua primeira meia hora da manha a pentear o bigode. O Manuel adora as suas arrufadas. Sempre que pode, sobe a rua e vai espreitar pela janela do sr Catita. Na suas saídas repentinas, correm gato e cão, lado a lado, velozes. Gulosos na alma, brilho no olhar. Espreitam e aguardam, calmos, não vá sobrar alguma arrufada e ainda a possam devorar.
Tell@
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