6.12.10

Hoje, mais uma vez, termino o meu dia nervosa e, surpreendida com o ser humano. Incapazes de dialogarem, dois alunos envolveram-se numa grave luta. Claro, alunos da minha direcção de turma. O cenário não deixou margem para dúvidas. Entregues a uma ira descontrolada e instigados por vários colegas que os vigiavam, o inevitável aconteceu. Um acabou no hospital e outro na esquadra. Ambos com idade superior a 16 anos. Dois elementos da GNR - Escola Segura - ajudaram-nos a resolver a situação, intervindo individualmente. Dialogaram com os mesmos e respectivos Encarregados de Educação. Mesmo os pais, completamente alterados, gritaram e ameaçaram, em jeito de desculpa pela educação que não lhes conseguem dar. Em vez do diálogo, impera a agressão física constante. Agarrada a vários cálices de paciência, acalmei um e depois outro. Limpei as feridas e sequei a roupa molhada. A cabeça e o rosto estavam irreconheciveis. Os nervos turvam o pensamento, impedindo-os de reflectir correctamente. São imediatos e irreflectidos estes gestos diários de desaprovação. Não aceitam regras e muito menos que os denunciem, pois para ambos o crime compensa. Os outros, meros observadores, prevaricaram da mesma forma. Cobardes na sua essência, não conseguiram intervir nem ajudar os colegas a quem, frequentemente, chamam de amigos. Grandes amigos. Invertem-se os valores, valorizando a ruptura dos momentos diários identificados como "normais". São jovens perturbados, vítimas de constantes abusos físicos e danos morais e psicológicos, sujeitos às intempéries da sociedade global. Agoram pagam eles por não saberem responder a situações desta natureza.
Estou exausta. Dói-me a alma. Lívida e seca de tanto proclamar. Até a paciência tem limites. Nada os demove destas incursões pelo lado negro da vida.
Tell@

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