Esta noite, foi a mais fria do ano. Dormindo ao relento, são mais que muitos. Almas errantes, despidas de calor humano. Sentinelas do tempo que, abrigados nos beirais, becos e caves, deambulam de rua em rua. Solitários, por escolha própria ou imposta, vagueiam ao sabor dos dias. Haverá natal para todos?! Dispo-me de preconceitos ao ouvir as noticias. Habituados a olhar para dentro, esquecemos os que sofrem em silêncio. Manta de retalhos que não tem fim. Inútil a vida que carregam no rosto. Rugas prostradas. Rugas rasgadas de emoção. Fingem que sentem, fingem que vêem, fingem-se apenas. E nós, peões imunes, nem os olhamos. Este Natal estarei com eles. Ajudando no local, com prontidão. A partilha é um acto comum mas nem sempre viável. Os apelos ganham vida. Baixem a bandeira porque a caravana vai passar. A sopa vai aconchegar. Um manjar diferente.
Tell@
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