3.1.11

O recomeço...



A tarde chegou complicada. Atrasados e eufóricos, entraram na sala a correr. O silêncio não conseguia ganhar forma. Inevitavelmente, aproximei-me de cada um deles. Estranhei a forma arrastada do falar de um deles. De repente, levanta-se, cambaleia e pede para sair. Já perto da porta, reconheci o estado alcoolizado em que se encontrava. A partir daí instalou-se a confusão. Deitado no chão, completamente sujo do seu vomitado, foi levado para casa. Os outros, depois de indagados, acabaram por relatar o sucedido. À hora do almoço foram até ao Lidl da Pontinha, compraram Coca-Cola, bolachas, bolos e uma garrafa de Vodka. Misturaram a cola com a Vodka e beberam. Nem todos reagiram da mesma forma, contudo, o trabalho na aula foi nulo e a brincadeira, excessiva. Inconsequentes deixavam transparecer um apetite voraz pela desordem e pela necessidade de ultrapassarem todos os riscos. Correr riscos para ultrapassar limites. Improdutiva esta primeira tarde de trabalho do ano. Ao final da tarde, mesmo esgotada, ainda liguei para os respectivos Encarregados de Educação. Uns mostraram-se surpresos, outros nem por isso. Contudo, alertei para a necessidade de dialogarem com os seus educandos e referi que, numa situação reincidente, não voltaria a permitir a sua presença na minha aula.
De volta ao mundo real, mesmo sem carro, dei corda aos sapatos e apanhei os transportes necessários. A aventura de hoje terminou bastante tarde. Entre comboios, metros, autocarros e alunos alcoolizados, resisti e cheguei a casa. Para o primeiro dia de trabalho do ano novo, não está nada mal.
Tell@

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