Fim de tarde solarengo. Dúvidas e o desejo constante de fuga. Entre pensamentos, despejo a mente. Fixo a porta... na esperança que entres. Não ganhas forma, senão em pensamento. Lentamente, percorres o meu horizonte. Saudade insana. Ladainha em mim, num jogo de revelações intrigantes. Volto a fixar o olhar naquela porta. Uma saudade que me envolve, percorrendo-me. Oculta na alma, voraz na voz. Guardo-a num livro proibido. E sem testemunhas, nem instruções, fecho-o numa das múltiplas gavetas da memória. Esforço em vão, queimado pela cegueira do vil desejo de perfeição. Não existe nenhum lugar seguro onde possamos guardar este sentimento de saudade. Teimosa, remendo após remendo, volto a reconstruir-te em mim. Ouso queixar-me mas, sem resposta. Releio as páginas onde registei poemas teus. Brancas na essência, libertam o teu odor. Uma fragância simples, incolor e muito fresca. Na ponta do dedo, tecla após tecla, dou forma às palavras que brotam de momentos vividos em ti. Um cigarro no canto da boca, à janela em diálogo com a paisagem. Um diálogo com sabor a monólogo. Um lamento injusto mas sem arrependimento. Na ternura desta viagem, é o teu rosto que vejo com mais clareza. E no teu rosto, aquele olhar a mel em tons de céu e de mar. Uma fotografia colada no meu horizonte.
Tell@
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