30.3.10

Cais da memória.


Entre dois dedos de conversa, duas vozes enchem a rua de som. Há sempre alguém, entre as duas, que dialoga a medo. Tento desvendar o mistério que pressinto à flor da pele, enquanto a outra boca jorra palavras infames. Elas vão e voltam e, enquanto se movimentam, dobram a esquina do meu pensamento. Tento entender o segredo que encobre aquele coração tão vazio de entendimento. O mundo tivera caído a seus pés, agora aos meus. Não queria acreditar no que ouvira. Palavras sábias e tão mágicas, vacilaramm como um sinal de mudança. Abracei este corpo e sorri. Parei naquele abraço. Olhei o horizonte, em busca de palavras de consolo. Há quem viva de memórias. Há quem viva de desejos vazios, sem forma nem textura. Há rostos que não esquecemos, mesmo quando a memória se apaga. A conversa morreu naquele dia, exactamente naquela hora. Naquele cais onde nunca mais consegui voltar.

Tell@

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