24.3.10

Diálogos entre estados de alma



Percorro cada recanto do meu ser na busca da perfeição eterna. Relativizo a certeza do vazio que abraça esta minha teoria. Malfadada decisão que, em vez de entranhar, estranhamente sorri. Entre risos e sinais de rescaldo, esta ladainha perde a sua forma. Sento-me e espero. Fecho os olhos, inspiro fundo e expiro por entre dentes, devagar e baixinho. Não quero que o tempo dê por mim. Não quero que a vida me leve ou, simplesmente, me empurre, deixando-me muito mais frágil. Não faz sentido. Suspeito que, mesmo antes de me levantar, ela vai-me cobrir de prazeres imortais. Fecho a porta. O frio penetra-me, incomodando o meu pensamento. Azedume na sua voz, enquanto me segreda palavras de vento, tempestuosas e inseguras. Escorreitas e impuras. Para e revê o teu caminho. Inverte o seu sentido. Fecharam-se as portas da cidade, estás de regresso ao paraíso. O vento abrandou, transformando-se numa suave brisa de fim de tarde. Sentada à beira de ti, sinto impura a alma, e volto a inspirar fundo. Estico o braço mas não te consigo alcançar.
Tell@

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