20.4.10

Rescaldo do dia!

Reclusa em mim, relaxo já fora de horas. No meu canto, deixo que o pensamento se liberte, em busca de sossego. O dia foi grande, inconstante e recheado de imprevistos. Por entre palavras rudes, carregadas de frustração, maus-tratos, indiferença, gestos desagradaveis, grunhidos como protesto e/ou apelo, gargalhadas de gozo, olhares tristes, rostos mal-tratados, sorrisos de pânico, posturas desanimadas e ressentidas, encontrei vários jovens que tentavam, apenas, sobreviver às investidas do ensino. Hoje, nada os motiva, senão dois dedos de conversa sobre a vida alheia. Nada os move, senão a possibilidade de poderem correr para parte incerta só para agredirem, mesmo sem necessidade. São violentos os sinais de desencaixe na sociedade que os rodeia. Estão isentos de sonhos. Desconhecem a liberdade de sonhar e idealizar. São forçados a crescer à força, por entre gritos, vazios de carinho, estradas sem amor... desconhecendo o poder do abraço. Vítimas de lares desfeitos, sobrevivem agarrados a ideias erroneas e a valores incorrectos, desajustados das necessidades da sociedade actual. Despidos de valores e atitudes, vão crescendo entre quintais de brigas, actividades ilícitas, paredes vazias e negras... enquanto o tempo passa, correndo sem destino. Na sala de aula, desrespeitam as regras, apelando à "briga" constante. Proferem palavras agressivas sempre que comentam a vida do colega ou dos pais do mesmo. Entre pontes de sons e palavras, arrefencem-se os animos e inviabiliza-se a aula. Gerir estes conflitos é matemática pura. São calculos constantes em defesa dos mais susceptíveis, equações em busca da solução mais justa. Justiça!! onde mora a justiça nestas alturas?! Será justo estes jovens sofrerem desta forma?! filhos da nação que foram obrigados a nascer e a crescer à pressa. Filhos em quem os Pais depositam as suas frustações. Jovens sem expectativas, proprietários de um futuro incerto cuja herança, incolor e desvalorizada, tomará posse das suas vidas, desviando-os da rota certa.
Se, durante este percurso sinuoso, poder ajudar um só que seja, serei uma mulher feliz. Não há razão para que descansemos entre braços. Sejamos criativos e inovadores. A esperança é a última a morrer.
Tell@

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