14.10.10

Inquietudes

Não há magia que nos faça esconder a fadiga. Não há segredo que resista a tanto desinteresse. Desde que nascem, até que se deitam, as horas correm velozes, devorando a tranquilidade aparente. O desgaste diário, embora limado, empobrece-nos o espírito. Pedaços de vida, gente diferente com histórias insólitas que, no dia-a-dia, nos sugam a alma, a paciência e o discernimento. Astutos e hábeis, agem como predadores enquanto, por entre dentes, lançam palavras que incomodam. A sala de aula deixou se ser um espaço de encontro e troca de saberes, é antes um espaço de desabafos, de recalcamentos, de desinibição, onde se descarregam emoções e sensações, de encontros e desencontros, de gritos e ruídos incomodativos, de tentativas em vão, imposições e situações descontroláveis...
De phones nos ouvidos, entram na sala. Não se sentam sem antes incomodarem, algumas vezes agressivamente, os colegas mais próximos. Não sabem comunicar senao na pele. Senao tocando de forma agressiva, empurrando ou batendo. São muito breves, ou quase nulos, os instantes em que nos é possível dialogar com calma, partilhando saberes e conhecimentos.
E daquilo que dizemos, apenas escutam um terço das palavras, mantendo uma atenção diminuta. Tão diminuta que se perde, de novo, à velocidade da luz. São estados de insatisfação constante, na busca de um lugar na vida. Nada os parece agradar e, muito menos, motivar.
Queria poder dar-lhes asas para voarem... comida para a boca... água para lhes matar a sede de carinho... outro céu. Outro voo.
Tell@

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