19.1.11

Fugas...

Perspectiva com dois pontos de fuga. Uma relíquia posta a nu. De lápis na mão, pensamento em fuga e papel manteiga como suporte, desenham-se linhas mágicas imaginárias. Seguem tontas, ladeando as avenidas de casas idealizadas por eles. Nascem portadas, janelas e telhados em perspectiva. Arranjos exteriores, com árvores, canteiros e piscinas inventadas. Um delírio. Ideias e mais ideias, recolhidas aos poucos, com esforço e muita insistência. Partos difíceis em dias demorados. Horas que custam a passar, mesmo quando dedicadas a actividades que dominam. Pré-adolescentes em crise. Entre duas linhas, ladainhas que deixam cair, sorrisos demorados, insinuações descuidadas, ruidosas e teimosas. Na sala, gravitam conversas sem nexo, vozes descontroladas, corpos que teimam em parar, olhares desatentos... sentinelas do tempo. A hora de início da aula é esquecida, mas a hora de saída, desejada com muita antecedência. Cavaleiros da liberdade perdida, erguem templos e pontes que os distancia, cada vez mais, da realidade adulta. Este foi apenas mais um dia. Uma batalha. Hoje a vitória foi minha. Amanha, com outra estratégia, voltarei aos meus soldados.

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